Cometa

Cometa









Cometa (o livro escrito 1996)
07Fev2009 09:50:00
Publicado por: Diana Balis

 

 

cometa2.gifCometa

Diana Balis

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Algumas palavras da escritora

 

Não sou escritora

Sou vivedora

E me permito  errar

me corrigir

Pois vivo a vida

Como a senti:

a me repetir,

Através destas  palavras

Se você puder me ouvir

Esteja comigo

Se quiser

Lute e relute,

Labute com o texto,

Puro prazer,

Bruto sentir

Da minha solidão!

 

 

 

 

 

Dedico este COMETA, desejo ardente,

às minhas filhas, hoje meninas,

Amanhã, mulheres apaixonadas neste planeta.

 

 

 

 

Diana Balis

 

Nasceu no Rio de Janeiro e viveu percorrendo o mundo.

Conheceu o Brasil de norte a sul.  Esteve em outros países da América do Sul e Norte, Europa e África,

Esteve fora com pessoas de diversos signos e religiões, sempre se apaixonando e dançando ritmos, culturas e climas, absolutamente diferentes.

Como os COMETAS, passa sendo percebida, pois busca o contato e o calor humano, trocando emoções, enfrentando as dificuldades de um sempre recomeço.

Viver a vida com outros não é uma tarefa fácil.  Sair em busca de aventuras nem sempre é tão prazeroso.

Por isso, COMETA, sempre cometa!

 

 

 

 

Cometa

 

Mistura de gelo e lixo

Cai

Bem  aqui, na minha mão

Passa fugaz

Eu te desejo

Intenso desespero

Ao seu encalço

Frisson,

Paixão,

Enquanto te aqueço

E reciclo,

Vem devagar,

Muitos cálculos se farão

Na sua passagem

Rente a terra,

Perpendicular ao meu eu,

Vai

E continua seu caminho

De solidão,

Mas COMETA,

Cometa sempre!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cometa II

 

De dez em dez anos

COMETA

Uma loucura,

Viva uma grande paixão,

Realize um desejo insaciável

Faça uma boa viagem

Diga um monte de besteiras,

Mude-se,

Sinta uma enorme emoção,

Invista,

Corra risco,

Coma com as mãos,

Vire de cabeça para baixo,

Não faça planos

Crie algo seu,

Enfrente a vida

Corajosamente,

E ame,

Ame a sua existência.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Amor em Ondas

 

Quando o amor é intenso quase não penso e a ele pertenço como sinto o mar,

vai e vem em ondas, às vezes me arranca da terra e quer me levar,

Por vezes é calmo e me deixa relaxar,

Quando o amor é tenso quase não suporto meu caminhar

Leva-me com o tempo e existem os raios para me machucar e o vento a me empurrar

Quando o amor é imenso a ele pertenço e não agüento no meu andar.

Sinto-me a lua cheia no céu a brilhar e com a força da água atraída pelo luar, um encontro a me penetrar, um monte de imagens a refletir, um desejo ardente de ir, um enorme prazer de ficar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Minutos

- É o tempo todo!

Segundos

- já passados....

Horas

Gastas

Pensamentos

Aflitos

Expectativas

Vem, não vem

É já e não está

Como pode existir o desatento

Aberto a mágoas?

Cada hora e a mesma esperança

Nada acontece que não sejam lembranças

Queria amar

Apenas existir na possibilidade do afeto perto

Ter com quem contar

Muito se passa

Para acontecer tão pouco

Não tenho mais o direito de me ferir e magoar

 

Está na hora de partir

Não há quem impeça

Aonde tropeçar

É tempo de ir

Sem saber voltar

Buscar o caminho

Traçar uma meta

A hora é esta

Não tenho como escapar

Caminhar à frente

Ao meu destino

Começar para recomeçar

Vida!

Pulsar!

Soltar!

Cantar!

Vamos nós daqui traveis

 

 

Viagem de amor           

 

 Por muitos campos percorri

Uma luz que se acende

No meu solo a brilhar

Abro a braçadas o atalho

A percorrer

Quando sigo sozinha,

Vou depressa

Buscando objetivos,

Satisfeita com o olhar

Mas sempre quero o amor

A me acompanhar

Observando o trajeto

Pude deixar o desejo entrar,

Quase caio e tropeço

Na busca desse lugar

Vi trançados coloridos,

Mousse de maracujá,

Tive tantos sonhos

Que não pude segurar

Escorreu feito água,

Saiu como pedra

O tempo haveria de passar....

 Tempestades previstas,

Enxurrada de emoções,

Olhar para dentro

Mergulhar  fora

Era  hora de enxergar

A paisagem,

Luar novo,

Céu escurecido

Não havia estrelas

Medo do escuro

Prazer revolto

Do mar enfurecido,

Molhava meu corpo

Junto ao amor,

o poder sobre o outro,

se define

No trajeto,

Quero traça-lo junto,

Com quem se acompanha

Torço o pé,

Abre-se uma clareira,

Não tem alguém do meu lado,

Pode um homem sumir

Se nunca existiu?

A luz, àquela,

Vagalumeia no meu coração,

Sinal luminoso,

Energia hidrelétrica,

Se aguar as plantas,

A semente brota,

No coração,

Era uma viagem de amor,

Estancada por um desejo de solidão,

Como deixar de enxergar a claridade

Que me habita,

Em sonhos de paixão?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fiz com uma vara

 

Fiz com uma vara
Escritos na areia,
Procurando quem leia
Antes que suba a maré.
Ali tinha sonhos,
Desejos,
Vontades.
Olhei para trás,
Um vulto se aproximava.
Para quem eu escreveria,
Sobre meus sentimentos?
Alguém em quem eu confiasse?
Sem mais e sem menos,
A natureza não me explica tudo!
Não sei por que tira,
E por que traz.
Os homens não sabem nunca o que querem!
O mar veio,
Apagou meus escritos!
O meu amor não leu,
E nem se importou.
Passou rente a mim,
Não me enxergou!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tempo Duvidoso

 

Hoje e tristezas

Caminham lado a lado,

Amanhã e certezas

Vivem isolados.

Ontem a verdade

Era filha única,

Futuramente,

Saíra por uma lado,

Anteriormente,

Tinha planos,

Presente e felicidade

Tiveram que esperar.

 

Data: 8/9/96

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Te amo

me amo

te adoro

me engano

te amo

te amo e te amo

quem sabe no ano

pro ano

que ano

te amo mais

que esse ano !?

 

FULANO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Paixão ao HOMEM

 

Os homens são omissos

gostam de uma boa trepada

e casam com mulheres calminhas,

submissas.

Poucos arriscam suas moedas

Em quem sabe mais do que dizer sim,

Mas na hora da farra,

De escolher melhores dançarinas,

As outras são melhores parceiras.

A não ser homens apaixonados,

Estes embasbacados

Faz-se de gato e sapato

Não decifram o código de suas mulheres

Mas as querem a qualquer custo

Levam e trazem

Obedecem ordens

Elas que mandam

Vivo a vida que não vivi

Por tentar entendê-los

Estou perto das calcinhas de renda preta

Das mulheres fogosas

Dos voyeurs olhares ao corpo perdido,

Nunca ganhei sequer um sutiã de ex-marido,

 

Que dirá calcinha preta?

O mais apaixonado só me escrevia em rimas,

O mais marido se perdeu de mim depois da

primeira filha,

maior amante já tinha mulher e filhos,

O adolescente morria de ciúmes

O bicho grilo vive melhor comigo

Guando está longe de mim

Como entender os homens

E aceitá-los, senão estando apaixonada por eles?

Então declaro

Estou apaixonada por todos os homens!

Os que nunca tive, os tímidos

Os feios e gordos

Os rabugentos

Os ricos e poderosos

Os ruins de cama

Os cafajestes

Os amigos

Os bandidos

Os políticos

Os verde abacate

Os cantores

Os Mulherengos

Os papais de cada esquina

Os amantes noturnos

Os metidos a sabidos

Os repressores

Bem, aí é de mais!

Falta você?

Ainda não classifiquei todos,

Aguardem-me!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pensamentos de domingo

 

 

Desejo de ir, saber o querer e se deixar levar...

a vida com carinho

Vai bem melhor

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vida de bicho

 

Vivi com você uma relação comensal

admiro agora minha ingenuidade

e a sua fugacidade

sempre tivemos prazer animal

agora  distanciamento racional

como entender um homem que des-sente?

Fico distante para  estar perto

sei da minha não importância

só não compreendo o vivido

como negar meu corpo marcado

esquecer meu encontro com o universo?

Nossa perpetuação enquanto espécie?

Tínhamos corpos selados

amizade, proximidade,

agora virei pó,

sopra-me longe,

eu vou,

só temos

um ao outro

se nos queremos,

eu te quero bem

e só por isso

me vou

me entristeço ainda

e aguardo a passagem

melhor que não viver

melhor que mentir,

é sentir, sentir.... sem medo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Memórias

No seu aniversário

não tinha espaço para um abraço

Tivemos desencontros

No nosso passeio apareceram muitas diferenças você não quis saber

Nosso primeiro encontro teve impotência

Nosso amor se consagrou em possibilidade de vida

Nossa realidade trouxe omissões

e brigas

Ciúmes

Arrancamentos

Potencialidades, diferenças e paixão!

Como eu queria companhia

Por que me sentia só

Um dia você também teve desejos de solidão

e se foi

Fiquei esperando a volta

Esta não mais se veria

Cada encontro de desejo

Uma grande sensação

e um distanciamento

Encontrava-me com o universo

e através de seu corpo revirava

A poeira do meu prazer

Não posso te ligar

Não posso te encontrar

Sou sua prisioneira

Onde e para quem me dou?

Minha alma de volta tem dono

Dono abandona a alma

Não há sentido neste amor

que apenas me deseja

Aguardo e vivo a espera

Tudo passa tudo recomeça

depois  de dez meses

dois anos

dez

como  amo

como quero ser amada

Segredos revelados

Não adianta me enganar

Por que viajar comigo?

Para onde ir sem você?

Como não ir contigo?

Queria não ter memórias

pois nada teria dito

e como haveria perdido?

Gosto de ter saudades

Eu tenho muitas saudades

e boas lembranças

A praça

O toque

Todo meu desejo

Nosso encontro

Seu canto

O vento

O abraço na filha adormecida

O leite

Os jogos do flamengo

A relação com as meninas

Do tesão

O trabalho colado

O empurrãozinho na apostila

O teatro

Etc.., e tal,  fulano,

Beltrano,

Sicrano,

Apareça, não me esqueça,

Durma bem meu bem

Se cuide e até mais além

Quem sabe no ano que vem

No século seguinte

Muito aquém

Vamos ter um neném?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Música inacabada

 

Eu queria um amor como um sonho, cheio de paixão!

Olha o vento e me embala, com tanta sedução!

Vem quarar no  meu corpo, esquentando o meu coração!

Este amor, com o tempo, não perde a emoção!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pinta

Vem pintar o meu teto de azul celeste

Cobrir de vermelho meus portais

Rebocar minhas estruturas

Quebrar as paredes

Reformar meu estofado

Trocar meu piso

Transformar meu espaço

Em partes reflorestadas

Pedaços  arquitetados

Por mãos criadoras

Pinta em tantas cores

Com gozo

Quebra em pedaços

Mosaico equilibrado

Luz que atravessa o corredor

Que nos une

Transcende sua imaginação

Vem cimentando e trocando as pedras

Colocando madeiras atreladas

Mudando móveis

Mexendo na decoração da minha vida

Que este pedaço

É seu

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pássaro preto

 

Veio um pássaro pousar em meu leito

Coloquei comida e água

Dei morada

Cuidava dia após dia

Acostumei com seu canto

Meio dia amanhecia

E ele se foi

Havia esperança Sentia saudades

Colocava comida e água no peitoril da janela

Desejava que viesse atrás de alimento

Veio vindo aos poucos

Bem pouco

Resolvi uma viagem

Até alto mar

Convidei o preto

A me acompanhar

e fui sozinha

Lá, outros cantos

Muitos pássaros

a cantarolar

Quando eu voltei não havia mais motivos

Nada a esperar

Voltei a meu leito

Voei mais alto

Que o canto de meu próprio peito

Alcancei céu e mares

Avistei estrelas

Revirei lugares

Esqueci o pássaro preto

Caminharei buscando ares

que incentivem meu próprio vôo

 

 

 

 

 

 

 

 

Mulher solidão

 

Dona de seu andar

Caminha forte a dizer não

Seus maiores instintos te contradizem

Negue seu suor

Seu corpo umedecido

Diz não tantas vezes

Vê se consegue se enganar

Como fugir desse elo

Que só deseja solidão

Qual medo perderá

Melhor o de não desejar

Ou de não ser desejada?

Como encarar esta perda para a solidão do outro!

Poderia ser por outro homem

Poderia ser por outra mulher

Poderia ser por um filho

Poderia ser por uma viagem

Por um compromisso de trabalho

Por estudos incontroláveis

Como encarar esta perda por causa do desejo de solidão?

Não se iludir

Todos têm tempos diferentes

Desejos inalcançáveis

Como posso supor fracassada

Sem coragem

De lutar contra eu mesma

Dentro de mim o medo

o desejo de solidão

Pegaram-me no encalço do meu próprio sonho 

Atropelaram-me

Por que tinha mais pressa

Que  propriamente vontades

Agora o cínico

Agora o monstruoso

Aperta-me e me deseja

No mais obscuro desengano

Vai ser de outra

Quer liberdade

Não é de ninguém

Não quer alguém que o queira

Então mulher seja forte

Diga adeus

Vê se me desaperta

Nega seu desejo

Esquece o calor

O toque

É tudo ilusão

Acredite em nada

O melhor é a solidão

Vai pintar alguém

Não liga mais não

Se engane

Me engane

Deixe-me só

Não é isso que se repete

Não é isso que tem na mente?

Não posso esperar me dizer mais nenhum não

Vou comprar duas passagens

Se você não chegar

Ocuparei dois bancos

Vou chorar na viagem

Mas não vou me arrepender nem de ter lhe esperado

Nem de ter ido sozinha

Sei que você deseja mas não consegue ir a lugar algum

Não sei o que fará guando eu realmente for forte

Empurrarei-te

Jogarei fora os bilhetes

Marcarei encontros que não irei

Viajarei sozinha te dizendo acompanhada

Negarei meu amor

Negarei meu desejo

Para que você prossiga sua solidão em paz

Esta disputa é quase ilegal

Mais sofrido e difícil

Da qual me retiro

Não gosto de competir

Não tenho forças mais

Quero, companheiro,

Quero amor

Estou cansada de solidão

Então mulher

Seja forte!

Diga não

Ao teu desejo de solidão

E mais uma vez, fique só!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pracinha

 

Fui olhar a praçinha

Com seus balanços amarelados

Seus trepas-trepas azul  encantado

Bancos cinzentos nas minhas vizinhanças

Quase não tinha crianças

Observei a pedra anterior às construções humanas

Sólida imóvel

Como te invejo pedra

Por tempos removíveis

Na minha própria vida

Viestes me dizer fugaz és

Você com desejos beijos ardentes

Incontroláveis pensamentos, desespero, terror

Descobertas esperanças dispersas

Foi-se com o tempo passado

Por entre minhas lembranças

Dizer para quê, se já sabes meus segredos?

Vistes com meus olhos

Revelaste o filme tantas vezes, repetidos encontros,

Passageiro como os pássaros velozes

Perdi do ao chão largado a verificar  alimentos

Sem vento o entardecer,  pedia despedidas

Caminhando fui deixando para trás doce praça

Da minha criancice

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                               Quem fugiu

Sei esperar

Só não sei esperanto

Sei amar

Só não sei amando

Saber pensar

Só pesando

Cada dia fica maior minha dúvida

Acabam mais cedo minhas vontades

Não sei valer tanto a pena

Um alguém que não me quis

Não saberá mais me fazer feliz

Por não fazer crer seu amor

Perderá o poder que lhe dou

A saudade morderá

A isca fugidia

Lembranças amarelarão

As cores, as dores

Uma semente brotará

Quem viu verá

Quem fugiu

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ainda que seja tarde

19/06/96

 

Meu coração saiu em busca de proximidade, cumplicidade, intimidade

Certamente sozinha, não vou entender

Gostaria de saber de você através de seu cheiro, seu toque e olhar,

Não queria outros lábios que não fossem os seus falando da sua vida,

Como compreender o tempo marcado pelo relógio se nosso encontro foi marcado

Pelos deuses do Olimpo?  Ilimitado, certo e infinito?

Não sei falar mais de amor ou paixão,

Penso na existência além de nós

Como perceber limites, dores, diante de desejos tão incontroláveis?

Plano real, plano irreal, como explicar o que fala dentro da minha alma?

Os seres mortais, não entendem mensagem do Olimpo, falta observação,

leitura, sensação e contato.

Acho que só os artistas e poetas virão me embalar a noite, cochichar

segredos, permanecerão junto ao meu corpo perplexo, buscando entender os homens que guerreiam pelas mulheres de Atenas.

Falta complexidade

Falta sensibilidade

Falta a fala, o falo, o corte

Meu limite pede

Calada fique a esperar o que virá,

Voltar ao plano terreno, cercar o solo e começar a arar, ainda há o tempo de plantar, ainda virá o tempo de colher, que o sol aqueça meu coração e a chuva molhe meu corpo e que o tempo passe devagar,

Ainda que seja tarde.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Te amo

 

Te amo

te amo

te amo

te amo

te amo

Quero ser amada

Quero ser amda

Quero ser anda

Quero ser amada

Te amo

te a mo

te amo

 tem ao

Amor mais valor

Que a cor

que lhe dou

te amo te amo te amo te amo te amo

este ano

te amo

este ano te amo

e me vou

se te amo

este ano

ando

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Passos trocados

 

Hoje cruzei com você

Fingi que não te vi

Como dói saber

Que seu desejo por mim

Passageiro

Como eu

Mas me assusta passar por

Você e nem poder te ter

Não poder te beijar

Desejar-lhe coisas boas

Passar como uma  luz apagada

Seus olhos me acompanharam

Até quantas portas?

Que bom poder ser amada

Atendida e desejada

Quero ser estrela

Brilhante neste universo

Como posso esperar uma volta?

Acho que perco meu tempo

Amanhã sentirei sua falta

Você vai para a Bahia

Eu vou para Nova York

E como ficam minhas saudades?

Eta palavra brasileira!

Quando  subir o Machu Pichu

E uma menina vier lhe dizer

Compra-me senhor?

Lembre-se de quem te ama

E que vai deixar para trás

Lembranças não mais quistas

Desejos não mais verdadeiros

Ambos loucos

Você, porque se meteu com quem não se mete

Eu, por me arrisquei com quem não se arrisca

 

 

 

 

 

Manhã

 

Olho o céu azulado.

Certamente em Trancoso estaria mais azul,

Em Friburgo haveria mais frio

Entre as montanhas

Perto do mar

Passarinhos não cantam no horário dos homens

Que se atropelam diante de suas próprias leis

Como imaginar que podemos supor que não somos regidos

Pelas leis da natureza?

Horário de verão

Como os homens que acordam com os pássaros vão entender seus atrasos?

As mulheres suscetíveis também se perdem aos olhos dessa regência

Eu seria capaz de dissertar capítulos sobre o assunto

Mesmo aqui no Rio de Janeiro, há pássaros que me acordam ao amanhecer

Vem me encantar com seus sons, apesar de não tão atenta aos bichos

Já que os bichos homens, andam me consumindo em alma e pensamentos,

Agora vivo com um gato, meio branco, um pouco pardo, listrado como um tigre, este me acorda com seus mios e exige cuidados diários!

Como eu, sente falta das meninas, que estão a passear com os pais

Tudo me parece  em dobro

Os pais, as filhas, os ex, as expectativas, as faltas!

Mas esta manhã é maior do que eu e me trás mistérios

Os decifráveis, os inconsistentes, os realmente ocultos.

Reservo há este dia o prazer, a possibilidade de desfrutá-lo ao lado do

homem e ao lado da natureza,

Nem tudo para mim é fácil.

Mas vou me permitir ir a algum lugar, nem que seja dentro do meu próprio

quarto!

Esta manhã de sol merece elogios, passeios e cuidados,

Vou em busca de mim mesma,

Caminhar dando lugar ao vento, a vida engarrafada da cidade, diante de tantos homens existe beleza, quem se arrisca e vive mais que uma monotonia.

 

 

 

 

 

 

 

 

Preto sonho

 

No passado distante

Um dia resolvi

Ser poeta

Encontrei em Três Corações

Uma fresca

Mas sabe-se lá porque,

Bateu-se a porta,

Desisti

Hoje encontrado

O poeta

E sonhos

Longe e próximo

Vejo paisagens

 Arrisco resistência

Preto Sonho

Ao adormecer

Balançam poemas

Clareia minha manhã

Cantam em arco-íris

Pássaro Preto

Acordou

E voou

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

João Gostosão

 

Vejo adolescente

Crescente

Vivente

Leva-me através

De montanhas

Janelas

E bares,

Avistar

Lugares

Olhares

Bem junto ao mar

Caminhante

Desenha o desejo ardente,

Liga linhas,

Imagina

E viaja

Cometas,

Vem com a noite

E adormece o sol

Troca olhares

Julga-se mal,

Vive o real,

Experimenta a pimenta

Que amarga a boca

Puro sabor do pavor

De amor

Arrisca-se

Entre videogames,

Destrói e reconstrói

Imagens

E rabisca

Puro prazer,

Modesto passatempo,

Sensualidade,

Paixão,

Transforma esse planeta

Numa prancheta

Repleta de ilusão.

 



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